A entrosada Polônia venceu o time de Bernardinho, que estava desfalcado
Por Sandro Miranda, Toronto, Canadá
Polônia passa Brasil por 3 sets a 2 no primeiro jogo da liga. Foto: Sandro Miranda
O Brasil pegou uma batata quente durante sua estréia na Liga Mundial, a Polônia, em Toronto, Canadá.
O time polaco se mostrou mais integrado, teve uma torcida enorme ocupando cerca de 90% da arquibancada que estava quase lotada. Mesmo com uma reação espantosa, depois de perder os dois primeiros sets por 25/22 e 27/25 e ganhando o terceiro e quarto sets por 27/25 e 27/22, a Polônia se mostrou mais eficiente cometendo menos erros. O Brasil errou muitos saques, se confundiu muito na defesa. Para completar, Murilo, Leandro Vissotto e Giba não jogaram.
A torcida polaca empurrou seu time o tempo todo, principalmente quando Tande servia.
Os jogos deste ano ocorrem de forma diferente. São 16 times divididos em 4 grupos. Neste primeira fase cada um dos times sediará uma etapa da competição durante um final de semana, onde as quatro equipes jogam entre si. O próximo país a sediar a próxima série de jogos será a Polônia, de 1º a 3 de julho, depois será o Brasil, de 8 a 10, Finlândia sediará do dia 15 a 17 do mesmo mês.
Pike era operador de câmera. Viajava muito, sempre acompanhando uma produção de filme, séries de TV ou documentário. Trabalhava muito, não tinha agenda certa. Hora trabalhava durante a semana à noite e dia ou durante finais de semana no mesmo esquema. Não era workoholic, mas sua profissão exigia que estivesse disponível 24 horas por dia, caso quisesse manter boas relações com este ‘mercado’. Pike tinha casa, era solteiro e não se via casado e nem sonhava em ser pai, estava imune ao vírus de criar família e ter herdeiro, uma coisa comum em uma metrópole como Toronto.
Certo dia Pike recebeu algo estranho. Entre a porta da entrada de sua casa e a tela de proteção contra mosquitos, deixado ali ao chão estava um prato de sobremesas embalado com papel especial, caprichosa e delicadamente selado. Pike, assustado com aquilo tratou de colocar o objeto diretamente no lixo.
Naquela noite, uma quinta-feira de verão, pensou que seria alguma brincadeira de mau gosto. “Quem em sã consciência colocaria uma prato na porta de minha casa?” pensava ele. Mas dias depois a mesma coisa aconteceu, e sempre às quintas-feiras.
Pike às vezes retornava de produções na Ásia ou Europa e ao abrir a porta de sua casa tropeçava em algo que a pessoa anónima lhe deixava. Cansado desta situação resolveu descobrir quem deixava estes presentes secretos, comprou uma câmera de vigilância pequena e a instalou secretamente num canto obscuro da entrada de sua casa. Perfeitamente escondida o equipamento foi testado por Pike, que conectou a câmera a seu computador pessoal, gravando imagens de baixa resolução de cada segundo quando não estava casa.
Pike estava feliz e confuso por estar próximo a descobrir finalmente quem estaria fazendo aquilo. A expectativa era grande. A viagem desta vez era para Quito, Peru, ele sempre quis saber como as pessoas conseguem respirar em atitudes supremas, como em Quito. Estava contente em mais uma vez conhecer um lugar novo, mas apreensivo que quando retornasse encontraria algo em sua porta. Um amigo seu húngaro disse que aquilo poderia ser um presente de um novo vizinho, algo cultural, mas Pike indagava o motivo então dos presentes serem anónimos. Outro amigo, desta vez um brasileiro, disse que poderia ser macumba que alguém teria feito para ele e que ele não deveria abrir ou mesmo que também poderia um sobremesa para ele saborear, mas Pike não queria descobrir o motivo do presente, queria saber o motivo pelo qual aquela pessoa insistia em colocar aqueles pratos em sua porta.
Depois de uma semana em Quito, havia gravado imagens belíssimas, também havia mascado folha de coca, que o ajudou a funcionar naquela altitude extrema, mas retornava e queria saber se sua câmera havia gravado algo. Estava desesperado para chegar em sua casa. Descera do taxi que o trouxe do aeroporto internacional de Pearson, pagou $60 dólares canadenses, incluindo gorjeta, desceu do carro, subiu as escadas – era ao redor das 4pm – abriu a porta e deu de cara com uma caixa, entrou em casa com a pequena caixa em suas mãos, puxava com sua mãe esquerda sua mala com rodinhas., subiu directamente para o 2º andar onde ligou seu computador e começou a verificar as imagens gravadas. Foi directamente na quinta-feira. Batata. Conseguia ver finalmente quem estava colocando os presentes, o último deles uma caixinha, era um mulher. Ficou pasmo. Imaginava tudo, baderneiros, algum cliente antigo que tenha se sentido usurpado, algum louco em sua rua, menos uma mulher.
Nas imagens que ele havia capturado, conseguia ver que ela era cuidadosa, pois caminhava quase que na ponta dos pés, não queria ser vista ou ouvida enquanto colocava o presente na porta de Pike. Ela observou a pequena janela da porta de entrada, abaixou-se, abriu a pequena porta com tela de proteção e colocou o presente no chão.
Era adulta, alta, cabelos escuros e magra, não se podia ver seu rosto ou a cor de seus cabelos. Pike viu e reviu as imagens até o momento em que a personagem deixava a caixa e fechava a porta. Ficou ainda mais curioso depois de saber que o seu anónimo presenteador era uma mulher. Abriu uma cerveja, comeu algumas guloseimas, pois não cozinhava de forma alguma, deitou por algumas horas para se recompor da viagem. Quando acordou resolveu rever as imagens para saber se ela havia retornado. Ele finalmente descobriu algo ainda mais curioso, aquela mulher era sua vizinha, ele nem sabia que tinha uma pois não ficava em casa. Pike apenas percebeu isso pois no começo das imagens sua câmera capta a cabeça de uma pessoa saindo da casa ao lado da sua e esta cabeça passa por cima de uma pequeno muro de separação e depois quando a personagem fecha a porta de Pike ela aparece entrando na casa ao lado. A pessoa morava ao seu lado. Ficou apavorado… Pensou consigo mesmo “Esta louca moura ao meu lado mas não deixa recado nos presentes? Vou encará-la”, mas teve medo que fosse uma psicopata. Se conteve.
Como ela sempre trazia o presente às quintas-feiras ele resolveu pegá-la ‘com a boca na botija’ e foi isso que ele fez.
Ele aguardou sete dias e se preparou para encontrar a tal mulher. Comprou um taco de beisebol, criou uma tecla de atalho no seu telefone para ligar para a polícia, no caso de ser atacado, lia e relia um texto que havia escrito para dizer à maluca. Tudo certo para enfrentar a não mais anónima figura.
Sentou-se próximo à porta da frente, pegou seu iPhone, ligou a câmera remotamente e aguardou ali sentado ao chão. Depois de quase uma hora de espera ela apareceu, mas desta vez quando abriu a tela de proteção Pike prontamente abriu sua porta… Ela, assustada, caiu sentada e sorriu. Pike começou a falar o texto que havia escrito, estava com o dedo na tecla do telefone para ligar para polícia, o taco de beisebol na outra mão, mas percebeu que aquela mulher ruiva de traços leste-europeu fortes, muito atraente, não estava entendendo o que ele disse e abriu os braços para ele em sinal de ‘não entendi’. Pike pergunta seu nome, ela começou a falar uma língua que ele não entendia, mas lentamente ela disse em inglês “I’m your new neighbour, good to meet you”.
Seu nome era Ana, era russa, havia se mudado há alguns meses e queria fazer amizade com seu vizinho, mas nunca o via. Decidiu então fazer guloseimas russas e deixá-las na porta de Pike, juntamente com um bilhete dentro que dizia ‘de sua nova vizinha Ana’. Uma amiga de Ana lhe disse por telefone logo depois do encontro na porta de Pike, pois Ana estava apenas de passagem pela cidade para estudar inglês, falava francês da frança fluentemente, por isso tentou se comunicar com Pike no primeiro encontro, mas Pike não reconheceu a língua, pois estava acostumado com o francês do Quebec. Conversaram, ele agradeceu em seu francês ruim de Quebéc e a convidou para uma cerveja, ela agradeceu mas queria apenas conhecê-lo e se foi. Pike se sentiu um idiota, desligou sua câmera de vigilãncia, abriu a caixa de presente que ela havia lhe deixado e leu o bilhete que estava dentro dela, juntamente com bolinhos de chocolate, e foi dormir.
O bilhete dizia ’Tentei contactá-lo diversas vezes, sei que é recluso e não gosta de se misturar com seus vizinhos, é uma pena, pois gostaria de tomar uma taça de vinho contigo antes de retornar à Moscou, beijos, Ana.’
Juliana o havia conhecido num bar da College st., ela gostava de paquerar pelos bares da cidade. Marcos já frequentava sua casa há semanas e pela manhã, depois de se divertirem o suficiente, iam para sua casa.
Certo dia, o porto alegrense, numa manhã de sorrisos e bondade, perguntou a Juliana se ele poderia tomar banho em sua casa. Ela pensou “Ele tem passado as noites comigo, me deixando consumi-lo, não há mal nenhum em deixá-lo tomar banho”, o começo do fim havia se iniciado.
Juliana era solteira, profissional liberal, sempre havia se virado sozinha. De pele clara, cabelos encaracolados e curvas abundantes, a advogada não via problemas em sua vida, apenas soluções. Há pouco havia mudado para o Canadá a procura de segurança, pois havia sido sequestrada uma vez – ela acreditava que era a mando de um de seus ex-clientes que hoje estava atrás das grades, mas não tinha 100% certa disso. De qualquer forma, estava feliz, pois havia encontrado um bom trabalho e estava financeiramente e emocionalmente segura, até encontrar Marcos, um cara gentil, educado, fisicamente imbatível, mas mal acostumado aos mimos de sua mãe, dona Maria.
Desde pequeno Marcos acordava com o café-da-manhã à sua cama. O almoço estava pronto ao meio-dia em ponto, logo após ele chegar da escola. Já adulto não queria sair de casa, para não perder as regalias e tratos que sua mãe oferecia sem custo algum. Dona Maria havia perdido o marido, e sendo Marcos seu único filho, ele era seu mimo. Mas agora Marcos havia mudado para Toronto, estava na cidade para aprimorar seu inglês, mas não demorou muito para sua mãe sentir que ele não fazia falta, pois agora ela podia viajar, visitar seus irmãos e primos, além de ter tempo para fazer nada.
Os dois já se encontravam há meses e naquela manhã ele decidira tomar banho no apê de Juliana, que permitiu. Ele trazia em sua ‘backpack’ roupas limpas. Após tomar banho, ele pegou suas roupas sujas e colocou-as dentro de uma sacola prástica e a deixou na sala… Juliana só percebeu o feito quando retornou do supermercado, pois sempre fazia compras no No Frills aos sábados pela manhã, assim ganhava o dia para se divertir. Quando percebeu a tal sacola ligou imediatamente para Marcos, que lhe disse levaria suas roupas da próxima vez…
Continuaram se encontrando por várias vezes e a primeira sacola nunca foi movida daquela posição. Aliás, toda visita de Marcos agora era acompanhada de uma nova sacola de roupas sujas, que espalhavam pela casa. Depois de ver tantas sacolas em sua casa, Juliana perdeu a cabeça e num acesso de ódio e loucura resolveu lavá-las. Mas não foi isso apenas, ela dobrou-as e as colocou em seu guarda-roupa. Estava possessa.
Ela não disse nada à Marcos, quando se encontraram naquele final de semana, saíram, jantaram, beberam e foram para o apê de Juliana. Lá, se consumiram. Ele foi tomar seu banho, e ela aguardou o momento certo para dar o golpe final… Assim que ele saiu do banheiro ele percebeu que suas sacolas já não estavam por lá, indagou sobre elas. Juliana disse-lhe “Tenho um presente especial para você” e lhe deu uma bolsa enorme, com todas as suas roupas dobradas perfeitamente dentro dela. Lágrimas saíram de seus olhos, pois se lembrara de sua mãe, que sempre lavava e passava suas roupas. Ele a beijou e quase chorando disse “Meu amor, você me fez lembrar de minha mãe. Ela sempre lavava e passava minhas roupas assim como você, estou apaixonado”. Juliana sorriu e disse que sentia elogiada.
Andou em direcção a porta de seu apê e disse ” Agora voce pode ir embora, não quero vê-lo jamais. Não sou e não serei tua mãe, muito menos tua empregada. Se um dia crescer, for responsável e conseguir pelo menos lavar suas roupas poderemos nos encontrar novamente, caso contrário não me ligue” disse a possessa Juliana.
Marcos abaixou a cabeça, pegou suas bolsas e saiu pela porta da frente.
Anos depois Juliana ouvira que ele havia retornado ao Brasil, pois sua mãe havia falecido. Um ano após ele havia se tornado um sem-teto, pois perdera a auto-estima.
Juliana trocou de apartamento e montou seu time de advogados.
A casa estava cercada por bombeiros e policiais. A vizinhança assistia a tudo pelas janelas de suas casas. Os mais curiosos, de pijamas e até cobertores, com copos de café nas mãos, tentavam descobrir qual era o problema na casa de número 38 na rua Chanceler. Um dos policiais era amigo do senhor Binker, que era um dos curiosos.
“Para ser honesto com o senhor, eu não tenho ideia deste imbróglio. Acabei de chegar, mas assim que descobrir algo posso passar alguns detalhes para o senhor” disse o policial ao bisbilhoteiro Binker, que quase comia as mãos de curiosidade, pois a casa de que falavam era de um vizinho seu, o chauvinista Battista.
Com fitas amarelas amarradas a árvores, carros, isolando a casa número 38 por quase uma quadra, em frente à casa estavam o comandante do departamento de operações especiais da polícia montada, o comandante do batalhão de bombeiros da cidade, um representante da embaixada brasileira e um entregador de pizza – haviam pedido uma pizza quatro queijos e outra canadense – com bacon, abacaxi e queijo.
A polícia montada havia recebido ligação da polícia local sobre um possível refém naquela casa. Battista teria sua esposa, Margarida, como refém. Boatos sugeriam que ela o havia traído e que o ‘Don Juan’ seria o melhor amigo do marido.
Ouviam-se gritos pela casa e a polícia sabia que Battista tinha uma arma de fogo, só não sabia que tipo, a polícia temia que ele tivesse armas de alto calibre, pois havia sido treinado pela marinha americana.
Um negociador havia chegado para falar com Battista, que era operador de britadeira. Ele cumprimentou a todos e foi em direcção a porta da frente do número 38. bateu à porta, chamou por Battista… Nada… Chamou mais uma vez por Batttista: “Sr. Battista por favor abra a porta. Vamos conversar, estou desarmado e quero saber o motivo pelo qual o senhor está mantendo sua esposa como refém…” Battista não abre a porta e fora de si grita para o negociador: “Ela acabou com minha vida, roubou tudo de mim! Eu disse se ela fizesse isto eu acabaria com sua vida!” Um silêncio tomou conta do local… O negociador pede mais uma vez para conversar com Battista pessoalmente, “por favor, sei que está muito nervoso, estas coisas acontecem, o senhor pode conversar comigo, deixe sua esposa sair, senão sua situação vai complicar Sr. Battista…” Nada. O grandalhão do Battiste chorava e gritava ao mesmo tempo.
Enquanto todos prestavam atenção no negociador uma figura chega ao local desapercebida, era Queen, o suposto amante da esposa de Battista. Uma das vizinhas o reconhecera e fora direto dedurar o rapaz para o policial, que imediatamente foi ter com o meigo rapaz, que explicou a situação e que jurava de pés juntos que não havia consumado o ato sexual com Margarida, estariam apenas conversando sobre Battista quando o mesmo entrou no quarto gritando “Traidora! Traidora!” e abriu seu armário onde sempre guardava suas relíquias da marinha e sacando uma pistola automática. Queen, aterrorizado com a cena, saiu correndo semi-nu pela casa.
O mesmo policial que interrogou Queen informou o negociador pelo rádio, mas quando passava a informação Queen pediu a ele para não machucar o bruto Battista… O policial olhou para o suposto amante e não entendeu nada, mas passou o recado para o negociador.
Pitbull, como era conhecido, recebeu a informação e perguntou por Margarida. Ela respondeu em voz calma. Segundo os vizinhos, ele a tratava como se trata a um cachorra. Ela era quase uma beata. Sempre bem vestida, séria. Adorava o marido, pois ele a respeitava, mas ele sempre gritava com Margarida, que naquele momento parecia calma demais.
Battista começara a chutar e quebrar móveis. O comandante da polícia montada já pedia atenção aos seus 8 homens que cercavam a casa. De repente houve silêncio na casa, a porta se abriu e Margarida sai da casa devagar, bem trajada e diz para Battista: “Não tenha vergonha do que fez, seja homem e encare quem você é. Queen me contou tudo, se ele fez isso é por quê se importa com você, não seja infantil. Entregue sua arma e peça perdão por este circo em frente de minha casa”.
Pitbull estava boquiaberto, Queen passou correndo pelos policiais, abraçou Margarida e corria em direção ao amigo, que disse ao amado “Eu te amo” antes de meter uma bala na cabeça…
Queen desmaia, Margarida chacoalha a cabeça negativamente e diz “Sempre o amei, mas ele sempre lutou contra seus desejos”.
Os comandantes se entreolham, os vizinhos voltam para suas casas, e Pitbull come o último pedaço da pizza quatro-queijos, Margarida pede um pedaço.
Certo dia na primavera de 2010, Michael patrulhava a região das praias, no lado leste de Toronto, sua rotina era sempre a mesma; passava pelo estacionamento próximo ao Boardwalk Cafe, retornava, seguia pela pela praia para averiguar se havia algo errado por ali, passava pela escola de canoagem ali próximo, dirigia-se à piscina pública e, de ouvido ligado no rádio, sabia tudo que acontecia naquela região, a área 55.
Depois de verificar tudo por ali, Michael sempre passava pelo Tim Hortons, para pegar umas rosquinhas e um “chafé”, como diria seu grande amigo, o Zé, um brasileiro de Viçosa.
Michael estava na força há cinco anos, e gostava daquela região, da praia, principalmente quando era noite de lua cheia, pois a praia ficava ‘linda, linda’ dizia o policial, que nascera em Hamilton, tinha dois filhos uma esposa adorável.
Era tranquilo e gostava do Toronto Maple Leafs, infelizmente como também a maioria de seus fás, ele nunca vira seu time campeão -.
Michael estava de plantão naquela noite e foi averiguar algo que ouviu e confirmou com a central que riria checar.
Desceu na Queen St. East, próximo ao parque que liga o comércio à praia.
“Um guaxinim enorme passou aqui com um saco pendurado nas costas!” gritava uma garota de uns 10 anos que vinha assustada correndo do parque em sua direcção. Michael a parou e disse se ele há havia atacado, ela disse não. A garotinha disse que o guaxinim era educado…
Um guaxinim educado? Que conversa é essa? Pensou e correu em direção pela qual a garota havia surgido, seguiu o calçamento e avisou a central. “Guaxinim gigante foge pela praia carregando saco com material furtado de café, envie farejadores” informou o policial, que era extremamente metódico em relação a informação coletada.
“Guaxinim gigante, como é que fui dizer isso. Imagino o John me sacaneando dizendo que criaram os comerciais de TV sobre a aquela empresa aérea baseada neste fujão de máscara…”
De repente michael é chamado pelo rádio: “Michael, responda. É john, Roger”. Michael pensa o pior. Não responde. John chama mais quatro vezes. John nada de responder, e continua correndo.
Michael vê o guaxinim entrar em um lancha, onde haviam outras lanchas encostadas, era uma festa que rolava ali. O guaxinim era levado para a ilha e John perplexo avisa pelo rádio que vai seguir suspeito. Ele então pula em uma das lanchas encostadas na praia, dix que é policial e segue o rabudo. As pessoas gritam com Michael, mas ele não escuta, continua perseguindo o animal e seu comparsa. Michael avisa pelo rádio que o comparsa do suspeito o viu mas não parou a lancha. A distãncia entre as duas lancha é curta, pois Michael está só.
Os foragidos chegam à uma das ilhas, numa festa com muita iluminação, John chama Michael novamente no rádio… Michael não responde e desconcerta seu rádio, estava obcecado com o tal fujam.”Este cretino não vai fugir de mim, serei ridicularizado pelo resto dos meus dias!” pensa o policial que pula do barco perseguindo o guaxinim ladrão.
Michael está próximo do rabudo quando nota outros policiais na festa, então grita e todos olham para ele. Mas o guaxinim e seu comparsa não param…
Michael estava há poucos passos do ladrão e decide pular e agarrar o bandido. Pulou como um grilo, agarrou como polvo, caiu como um goleiro e puxou o revólver como um herói e foi flagrado pelo diretor do comercial como se aquele take fosse fantástico.
John estava lá só observando juntamente com seu comandante e seus amigos. Todos o aplaudiram, Michael nada entendia. John o abraçou e murmurou em seu ouvido: “Tentei avisá-lo do comercial, mas o cabeça oca aí não quis atender o rádio. Disfarçe e sorria, pois todos pensam que você sabia o que estava acontecendo”.
O confuso Michael saca um par de algemas, coloca nos dois fugitivos, leva-os para o mesa onde estão o café e os donuts, e abrem a sacola do rabudo. Ali, o policial e o guaxinim tomam seu café com donut à sombra do luar.
Capa do programa do coral The Nathaniel Dett Chorale "And Still We Sing Esperança y Luz"
Já participou de missas, imagino. Nem que tenha sido para batizado ou casamento. Todos os brasileiros que conheci por um motivo ou outro já estiveram dentro de uma igreja, ou mesmo um templo, certo?
Pois é, mas quantos já participaram de uma missa afro-brasileira? Bom, me lembro de algo sobre missas em Salvador, na Bahia.
Uma amiga me convidou para assistir a um coral no Glenn Gould Studio onde o reconhecido The Nathaniel Dett Chorale estaria se apresentando. Ele me disse que seria uma apresentação especial e que o coral estaria cantando composições cubanas e brasileiras. Então fui.
Quando cheguei naquela sala, acústica incrível, parte da CBC, percebi que metade dos assentos estavam vazios, talvez por causa da chuva que ameaçara cair. Peguei o programa e me surpreendi com a imagem do Cristo Redentor carioca na capa, exatamente. Na capa do programa estava uma imagem do Cristo, logo abri para saber que tipo de música estariam apresentando. Missa Afro-Brasileira foi a resposta. A desconhecia por completo, A composição de Carlos Alberto Pinto Fonseca, que nunca foi gravada, segundo o fundador e diretor artístico do The Nathaniel Dett Chorale, Brainerd Blyden-Taylor, a missa nunca foi gravada por seu criador.
A primeira parte do programa encanta e apresenta os 24 membros do coral e seu condutor cantando obras com ritmo latino. A segunda parte é quase e completamente a Missa Afro-Brasileira, que me lembrou dos anos de Liceu Salesiano, quando participei por pouco tempo daquele coral. Lembrei também de músicas de infância pois o compositor da Missa utilizou elementos da música popular brasileira para apimentar sua obra.
Detalhe: a Missa é cantada em português por estrangeiros, isto torna a evento ainda mais empolgante.
A 12ª e última estação do coral em 2011 apresenta um programa de tema latino apresentando renovação, esperança e luz, cantando composições do americano Adolphus Hailstorks, do cubano Silvio Rodriguez do brasileiro Carlos Alberto Pinto Fonseca.
O And Still We sing… Esperanza y luz terá sua última apresentação de 2011 neste sábado, dia 28, no Glenn Gould Studio.
Maria era amável, um doce de pessoa. Morena, alta e charmosa, dengosa eu diria. Estava há pouco tempo em Toronto e já estava pensando em casar. As amigas viviam dizendo ” Case, boba, case com qualquer um. Isto vai facilitar a sua vida ” dizia Amarilda, sua recente companheira de quarto. Sua ideia era ficar um tempinho por aqui e depois retornar à Porto Alegre, mas como vinho também se torna vinagre, tudo muda.
Depois de quase um ano em Toronto, e negando encontro com parceiros e parceiras – algo que ela nunca imaginara: ser cantada apor uma mulher, em terra estrangeira. Com o tempo até que se acostumou. Ela recusava-se a arranjar encontro, acreditava em amor à primeira vista.
A porto alegrense não gostava de papo-furado sobre casamento arranjado ou mesmo a ideia de unir-se por interesse. Algumas conhecidas comentavam que umas já haviam recebido propostas para casar, mas não diziam se haviam aceitado ou não. Outras comentavam que até pagariam por isso, se fosse o caso, pois para elas o processo de imigração era penoso, demorado, e como haviam chegado ao país há muito tempo e tinham o visto expirado, o casamento com um cidadão canadense seria uma opção mais do viável, segundo elas isto seria sua salvação, mas seu visto de turista ainda estava em dia, ela teria meses para curtir antes de preocupar com ‘estas bobeiras legais’, dizia.
Maria não queria ser salva, estava feliz. Estava boquiaberta com um povo tão educado, que pede desculpas até por existir, algo incomum para a brasileira.
Passaram-se as estações, seu visto capengou…
Amarilda já havia desistido de convencê-la a casar, ela já havia casado com um português dos Açores, e estava tranquila. O luso-canadense a tratava como a uma rainha, uma deusa. Mas ela, pelo contrário, o tratava como um qualquer, e ele adorava. Ele era pedreiro, recebia um bom salário a cada duas semanas e ela o administrava, estava bem, mas havia engordado alguns quilinhos, mas não se importava. Vez ou outra viajavam para a Europa para se divertirem. Os dois assistiam as novelas brasileiras juntos, um verdadeiro retrato familiar.
Enquanto isso o tempo passava para Maria, que sentia-se cada vez mais acuada, com medo. Ouvia dizer que a tal da imigração poderia enviá-la de volta ao Brasil se a pegassem sem documentação, ou a carteira de habilitação canadense. Ela começara a ter paúra de locais públicos. Em casa tinha medo até do carteiro, pois morava numa casa com mais imigrantes, alguns deles também com o visto caduco.
Passaram-se anos. Maria aflita, trabalhava como louca, guardando algum para o futuro, mas também para ‘comprar’ seu casamento, pois agora estava judiada pelo tempo, por sua teimosia e por sentir-se deixada de lado. Seus olhos não mais brilhavam, seu charme estava coberto por uma crosta imensa de ressentimento. Sua doçura azedara, já não entendia como as pessoas podiam amar, ou como podiam acreditar em amor à primeira vista.
Já não amava, passaram-se 10 anos desde que havia chegado ao Canadá. Decidira retornar ao Brasil, deixou parcos amigos, seu quarto, levou poucas coisas. Ao chegar abraçou a mãe e ao pai, que não a reconheceram, pois amargara.
Foi a um ‘copo-sujo’ do qual ouviu sua mãe comentar, disse que era lugar para vagabundo, malandros e mulheres desamadas. Era o Bar do Paraíso. Foi para lá, procurou até encontrar um ser repugnante, alcoolizado, que a viu e disse “Nossa, minha princesa, formosura, como você veio parar neste inferninho? Quero te salvar e levá-la para meu palácio”. Ela aceitou, e foram para o palácio moribundo, onde se amaram, à primeira vista.
Pois é, ainda me lembro daquele tempo onde eu esperava para ver o novo filme em vídeo, geralmente estrangeiro, pois o cinema nacional estava voltando de uma ressaca longa. Muitos ainda associavam a indústria cinematográfica brasileira à pornochanchada, então a maioria das produções eram legendadas, algo com o qual me acostumei.
Uma coisa era certa, não dava para ir em todas as sessões de cinema em meus vinte anos de idade, por este motivo eu passava na locadora quase todos os dias para ver se algum filme recente estava disponível, me lembro bem. Às vezes locava um ou cinco, dependia do dia da semana. Era interessante, batia papo com o atendente sobre os novos filmes, como as pessoas haviam reagido àquele filme, para assim compara-lo ao meu. Nada mudou entre a mudança das fitas de video para o DVD, apenas o formato.
Agora vejo filmes no meu telefone, no meu computador, menos na TV, pois a variedade é menor. Passo pelo Netflix, Youtube, Boxee, entre outros. Vez ou outra vou a locadora. Agora há pouco estava no Hot Docs assistindo documentários – estes eu assisto na tela grande, de outra forma raramente iria ao cinema.
Mas agora há uma variedade de opções imensa e variada, gratuita ou não.
O Youtube (Google) agora começa a também alugar filmes online, e com o alcance que possui terá êxito financeiro. A Apple já faz sucesso, mas seu principal ‘feijão-com-arroz’ é a música, mas provavelmente os vídeos estarão em alta. Com o sucesso da transmissão simultânea do casamento do Principe William e de Kate Middleton via online pelo Youtube percebe-se em grande escala que o sistema funciona e que a TV a cabo está morrendo aos poucos e a expansão desta nova media é clara.
Ainda bem que escolhemos a internet como meio para a PanTV, assim você não paga, mas se quiser pode assistir.
Música, poesia, e um passado colonial similares trouxeram o brasileiro Leopoldo Paradela e a indiana Jasmine D’Costa ao Supermercado Art Bar para apresentarem Indian Voices, e Hearts & Souls.
Indian Voices foi escrito por vários escritores indianos de Toronto e no exterior, Hearts & Souls foi escrito por Leopoldo Paradela. Ambos os livros foram elaborados pela empresa de Jasmine, a Trade Architets.
O evento foi realizado no Supermercado Art Bar, em Toronto, em 7 de abril.
No Canadá, os liberais sempre foram uma potência. Nenhuma dúvida sobre isso. Os liberais foram supremos entre 1993-2006. Orçamento equilibrado, sem escândalos políticos até que Jean Chrétien, o ex-primeiro-ministro, envolvido com o que ficou conhecido como o programa de patrocínio, criado e gerido pelos liberais para ajudar a desenvolver negócios em Quebec. Mas o plano não funcionou bem. De repente, o governo liberal estava atolado no esquema, que passava milhões para empresas de propaganda em Quebec, favorecendo grupos que apoiaram esse partido no Canadá francês.
O governo gastou US $ 14 milhões para investigar o caso, e os liberais começaram a descer a ladeira. Logo após a confusão feita pelos liberais, os conservadores saíram do armário e ganharam a eleição. Stephen Harper obteve o controle da casa, ele estava sempre com seu RP, especialistas em comunicação e assim. Após cinco anos no poder, venceu duas eleições, os conservadores ficaram mais fortes, mas novos escândalos surgiram.
Mas os conservadores aprenderam com eles. O Cons contrataram o grupo de comunicação que costumava trabalhar para os liberais, e hoje trabalham arduamente para manter o nariz dos jornalistas fora de Ottawa, que agora terá um governo de maioria conservadora e um novo partido, o NDP, ou a terceira via.
Será que vai melhorar a situação das empresas, grupos financeiros, e os valores da família tradicional? Provavelmente.
E os outros? Saberemos em breve, porque o NDP tem que provar seu valor como líder da oposição.
As eleições federais apresentaram um mapa geográfico-político que pegou todos de surpresa, velhos políticos engessados perderam suas cadeiras e a nova geração está dando às caras, juntamente com mais de 50 mulheres eleita representando NDP, que fará muita diferença.
O Canadá estará azul, mas a terceira onda, alaranjada, de mudar o gosto da água de Ottawa.